Rodrigo Santiago

A Promessa

In Ficção on 8, setembro, 2003 at 19:10

Um filme sobre egoísmo. Essa é a maneira com a qual encarei “A promessa”, último longa de Sean Penn, estrelado por Jack Nicholson. O detetive Jerry Black, interpretado por um enxuto Nicholson, no dia de sua aposentadoria esbarra em um caso de homicídio infantil, e ao dar a notícia aos pais da menina, promete que vai capturar o assassino. Um indígena, interpretado por Benício Del Toro, em uma interpretação rápida, porém marcante, é acusado de cometer o crime e ao ser interrogado confessa que o cometeu, após o interrogatório, o indígena se mata. Caso encerrado. Mas não para Jerry, que continua matutando sobre o real assassino daquela criança, e pesquisa casos similares que tenham acontecido na região, e os encontra. 

Em meio a isso, ele compra um posto de gasolina na região, e começa uma nova vida, morando com uma amiga que tem uma filha de 8 anos, que se encaixa no padrão das meninas dos outros crimes, e começa a agir superprotetoramente sobre a menina. De suspeita em suspeita, beirando à loucura, Jerry persegue O Bruxo (como se apresentava às crianças o assassino), perdendo a credibilidade ante aos antigos colegas, a quem o caso já estava resolvido. Este é o cuidado que Sean Penn toma para que pensemos o mesmo, que o caso fora resolvido e que na verdade é Jerry quem está ficando louco, e não poupa esforços para tal. 

Ao final, a enteada de Jerry vai se encontrar com O Bruxo, e este toma as devidas precauções no intuito de pegá-lo, fica observando a menina ao longe no local combinado, mas uma infelicidade do destino faz com que O Bruxo bata o carro e jamais apareça ao encontro. Logo a mãe da menina descobre e chega para pegar a menina, e obviamente fica braba com Jerry, atira uma série de acusações e aí o interessante, ao invés de se defender, Jerry aquiesce e fica quieto antes às acusações, “sou culpado”. 

Esse final é que amarra as pontas do filme, a não tentativa de Jerry em salvar sua nova vida e deixá-la ir descarga abaixo mostra que aquela nova vida valia apenas em prol de capturar o verdadeiro assassino. Não era a menina, tampouco a mãe dela, que Jerry estava interessado, essas duas seriam apenas um meio de Jerry capturar o assassino e cumprir a promessa (aliás, vale um comentário, o título original, The Pledge, remete não à uma simples promessa, mas algo muito mais profundo, uma promessa séria e formal). Essa ânsia em cumprir a promessa é tanta que justifica os atos cometidos por Jerry ao longo do filme, atos estes que indicavam uma certa loucura em Jerry. No final, ele está em seu posto de gasolina fechado, e entregue às areias do tempo, dentro de sua loucura particular. 

Sean Penn, está competente na direção, abusando de uma bela e metódica fotografia, planos fechados no início do filme, e não se abstém de mostrar os corpos da vítimas, que mesmo sendo poucos, marcam pela brutalidade. Slows também fazem parte de suas ferramentas, utilizando em mais de uma parte do filme, trazendo os momentos de tensão a devida atenção que merecem. A cena final é carregada de um suspense de matar, e certamente vale como um filme de suspense policial, apesar de seu final ser ligeiramente diferente dos usuais filmes do gênero, onde o assassino é pego e tudo termina em festa.

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