Rodrigo Santiago

Arquivo da categoria ‘Ficção’

Um último beijo antes do último beijo

In Ficção on 26, Julho, 2008 at 15:02

Quando assisti ao trailer de “Um beijo a mais” (The Last Kiss), filme estrelado pelo “Scrubs” (Zach Braff), pelo irmão do Ben Affleck (Casey Affleck), Tom Wilkinson, entre outros, fiquei com a impressão de que já o tinha visto há alguns anos. Mas o filme é relativamente novo (2006 e chegando só agora no Brasil), foi então que nos créditos do trailer vi que era baseado em um filme italiano, chamado aqui “O último beijo” (L’Ultimo Bacio), de 2001.

Assisti recentemente ao filme com o “Scrubs” e, apesar de ser um bom filme, as comparações são inevitáveis. Read the rest of this entry »

Indiana Jones, Casino Royale e A intérprete

In Ficção on 23, Junho, 2008 at 15:59

Final de semana cheio, finalmente fiz algo que costumava fazer há muito tempo e que estava com saudade, assistir a vários filmes, um atrás do outro. Entre filmes já vistos, inéditos, lançamentos, bons filmes e bombas, três filmes se destacaram para mim.

O primeiro — em ordem de destaque — foi “Indiana Jones e reino da caveira de cristal”. Estava um pouco ansioso para vê-lo, mas não esperava muito dele, apenas um filme divertido na saga do famoso “arqueólogo”. Read the rest of this entry »

O cinema e a viagem no tempo

In Ficção on 26, Abril, 2007 at 16:28
Droga, perdi o vestibular!

Droga, perdi o vestibular!

Viagem no tempo foi e é um tema muito interessante no cinema de ficção, teve sucessos e não tão sucessos cinematográficos, como a consagrada trilogia “De volta para o futuro”, “Donnie Darko”, “O efeito borboleta”, “A máquina do tempo” e tantos outros. Mas todos estes filmes sempre apresentam algum tipo de falha lógica ou algo do tipo nessa relação entre passado, presente e futuro. Por quê?

A resposta é simples: as viagens no tempo são improváveis. Embora eu não seja especialista no assunto, sei que o tempo como concebemos (linear) é apenas uma convenção, já que o tempo em si é apenas um conceito abstrato que o ser humano tornou — de certa forma — concreto, atribuindo números a ele. Mas fatos que ocorreram já se apagaram, acontece e fica na lembrança, o presente é paupável, o passado, não. Na minha humilde opinião a única forma fisicamente possível de se viajar no tempo é congelando-se sem envelhecer e acordar no futuro. Mas aí não haveria a possibilidade de volta, e não sei se já inventaram um método de congelar um ser vivo e conseguir descongelá-lo com vida em outro momento.

Por isso eu acho injusto criticar algum erro de lógica em filmes de ficção que tratem de viagem no tempo, pois, acredito eu, nenhum filme de ficção é feito com o intuito de provar que a viagem no tempo é possível, ela é usada apenas como um artifício para tornar uma história interessante. Afinal, o cinema é a grande arte de enganação, não é mesmo?

Tudo sobre minha mãe

In Ficção on 12, Abril, 2007 at 20:49

Assisti recentement a “Tudo sobre minha mãe”, do Almodóvar. Resumidamente, o que tenho a dizer é: nossa, que filme desgraçado de bom! É o primeiro filme dele a que assisto, já tive oportunidade de ver este e outros filmes dele, mas nestas oportunidade não me senti preparado para assistir. É um tipo de filme que gosto: sobre pessoas reais, com suas fraquezes e seus pontos fortes. Todos são humanos. Almodóvar traz os “freaks” do underground para o “mundo real”, e os mostra como seres humanos, com dúvidas e problemas como qualquer pessoa dita normal. E ao mesmo tempo que faz isso, mostra como pessoas “normais” têm atitudes consideradas anormais pelos outros. Não utiliza rótulos ou estereótipos para definir a personalidade das personagens, uma das principais falhas de muitos cineastas. É um filme bonito, em que tudo funciona. A fotografia é fantástica, a direção de arte intensa (cores fortes, vibrantes), muito bem dirigido e um elenco que dispensa comentários. Foi uma excelente porta de entrada na filmografia de Almodóvar.

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Um belo momento de introspecção da personagem principal. A trilha sonora é fundamental.

Desmundo, O tempo de cada um

In Ficção, Históricos on 9, Outubro, 2003 at 12:21

Sessão dupla de cinema no CIC, começando com “Desmundo” e terminando com “O tempo de cada um”. 

Fui ver “Desmundo” envolto de expectativa, ouvi mil (isso é uma hipérbole) comentários a favor do filme, e indo ver o filme cheio de expectativa, eis que saio da sessão um tanto decepcionado. É, achei o filme um tanto quanto chato. Naum gostei do roteiro na realidade. O resto do filme eh bom, a fotografia boa, a direção de arte muito boa, mas o roteiro deixou algumas pontas soltas que de jeito nenhum deveriam ficar soltas. 

Um ponto que talvez possa pesar eh a minha implicaancia com filmes de época, tal qual “1492: a descoberta de um paraíso” que todos falam ser o máximo, eu acho uma chatura. O interessante deste filme (e o que me fez querer vê-lo) é o fato de ser falado em português arcaico, apesar de a pronúncia de certas palavras – como o ‘não’ – serem idênticas a hoje em dia, o que com certeza não era nos idos de 1570. Além do portugê arcaico, tem os idiomas indígenas e africano (naum sei qual idioma indígena específico nem qual idioma africano específico). 

Um furo no roteiro que me incomodou muito, foi a cena quando Oribela está fugindo com Ximenes e seu marido Francisco aparece do nada à cavalo na praia. Claro que tem um motivo mas que ficou de fora na hora da montagem do filme, talvez esta seja uma estratégia de marketing, fazendo com que a gente saia da sessão e queira comprar o livro. Mas eu duvido. 

Depois assisti a “O tempo de cada um”, e, estando um pouco incomodado por causa de “Desmundo” ou não, eu gostei do filme. A sinopse, a grosso modo, trata da história de três mulheres (por isso o subtítulo Three portraits no título original do filme, omitido na tradução) e como cada uma delas faz para dar continuidade ou sentido em sua vida. Mulheres distintas, diferentes faixas etárias, diferentes situações de vida. 

O filme também procura trazer uma reflexão de o quanto uma decisão feita em segundos pode dar uma guinada total na vida da pessoa que toma a decisão, e de como essa decisão tem o seu momento, ou seja é agora ou nunca, ou pelo menos até a próxima chance. É filmado todo em digital e com a câmera sempre à mão, o uso de zoom incomoda um pouco e deixa as tomadas com uma qualidade ruim, o uso de imagens paradas (stills) procura trazer um pouco de tensão para certos momentos, dando um ar estroboscópico às tomadas, me incomodaram sempre que acontecia, e não sei se atingem o esperado.

Réquiem para um sonho

In Ficção on 2, Outubro, 2003 at 12:07

Um filme tenso, dramático, pesado. “Réquiem para um sonho” é um filme que trata do mundo das drogas, mas, além de ficar apenas na ótica juvenil, delinquente, marginal, do tráfico, do submundo, vai além e trata de outras drogas, e outros “consumidores”. O filme já começa de maneira forte, onde o garoto leva o aparelho de televisão para uma loja de penhores em troca de dinheiro para conseguir drogas. Uma discussão com sua mãe, e logo depois já se percebe que não é a primeira vez que o rapaz faz isso. O filme conta com um excelente aparato técnico, uma bela fotografia e uma montagem apurada, e com cortes rápidos. 

O interessante do filme não é que trata apenas do mundo das drogas, mas também fala de nossos prazeres superficiais e o quão longe estamos dispostos a ir por tais prazeres, tornando-os em obsessões, como diz a mãe do protagonista em certa hora do filme “eu tenho o melhor lugar ao sol” referindo que não precisava se importar com nada, já que ela tinha o mehor lugar ao sol dentra as vizinhas. 

O filme é todo pesado e pessimista, culminando o pessimismo no final, cada personagem com sua própria desgraça, o rapaz que perde o braço devido à gangrena de tanto injetar, sua namorada que vende seu corpo em festinhas particulares em troca de drogas, seu amigo preso em decorrência das drogas, e a mãe do protagonista em um hospital psiquiátrico obsecada ainda com a fama na televisão e com sequelas das anfetaminas tomadas para emagrecer. E por incrível que pareça, a tomada que faz-nos perceber o fundo do poço, é quando as amigas da mãe choram abraçadas num banquinho da praça.

A Promessa

In Ficção on 8, Setembro, 2003 at 19:10

Um filme sobre egoísmo. Essa é a maneira com a qual encarei “A promessa”, último longa de Sean Penn, estrelado por Jack Nicholson. O detetive Jerry Black, interpretado por um enxuto Nicholson, no dia de sua aposentadoria esbarra em um caso de homicídio infantil, e ao dar a notícia aos pais da menina, promete que vai capturar o assassino. Um indígena, interpretado por Benício Del Toro, em uma interpretação rápida, porém marcante, é acusado de cometer o crime e ao ser interrogado confessa que o cometeu, após o interrogatório, o indígena se mata. Caso encerrado. Mas não para Jerry, que continua matutando sobre o real assassino daquela criança, e pesquisa casos similares que tenham acontecido na região, e os encontra. 

Em meio a isso, ele compra um posto de gasolina na região, e começa uma nova vida, morando com uma amiga que tem uma filha de 8 anos, que se encaixa no padrão das meninas dos outros crimes, e começa a agir superprotetoramente sobre a menina. De suspeita em suspeita, beirando à loucura, Jerry persegue O Bruxo (como se apresentava às crianças o assassino), perdendo a credibilidade ante aos antigos colegas, a quem o caso já estava resolvido. Este é o cuidado que Sean Penn toma para que pensemos o mesmo, que o caso fora resolvido e que na verdade é Jerry quem está ficando louco, e não poupa esforços para tal. 

Ao final, a enteada de Jerry vai se encontrar com O Bruxo, e este toma as devidas precauções no intuito de pegá-lo, fica observando a menina ao longe no local combinado, mas uma infelicidade do destino faz com que O Bruxo bata o carro e jamais apareça ao encontro. Logo a mãe da menina descobre e chega para pegar a menina, e obviamente fica braba com Jerry, atira uma série de acusações e aí o interessante, ao invés de se defender, Jerry aquiesce e fica quieto antes às acusações, “sou culpado”. 

Esse final é que amarra as pontas do filme, a não tentativa de Jerry em salvar sua nova vida e deixá-la ir descarga abaixo mostra que aquela nova vida valia apenas em prol de capturar o verdadeiro assassino. Não era a menina, tampouco a mãe dela, que Jerry estava interessado, essas duas seriam apenas um meio de Jerry capturar o assassino e cumprir a promessa (aliás, vale um comentário, o título original, The Pledge, remete não à uma simples promessa, mas algo muito mais profundo, uma promessa séria e formal). Essa ânsia em cumprir a promessa é tanta que justifica os atos cometidos por Jerry ao longo do filme, atos estes que indicavam uma certa loucura em Jerry. No final, ele está em seu posto de gasolina fechado, e entregue às areias do tempo, dentro de sua loucura particular. 

Sean Penn, está competente na direção, abusando de uma bela e metódica fotografia, planos fechados no início do filme, e não se abstém de mostrar os corpos da vítimas, que mesmo sendo poucos, marcam pela brutalidade. Slows também fazem parte de suas ferramentas, utilizando em mais de uma parte do filme, trazendo os momentos de tensão a devida atenção que merecem. A cena final é carregada de um suspense de matar, e certamente vale como um filme de suspense policial, apesar de seu final ser ligeiramente diferente dos usuais filmes do gênero, onde o assassino é pego e tudo termina em festa.