Rodrigo Santiago

Posts de 2008

Um último beijo antes do último beijo

In Ficção on 26, Julho, 2008 at 15:02

Quando assisti ao trailer de “Um beijo a mais” (The Last Kiss), filme estrelado pelo “Scrubs” (Zach Braff), pelo irmão do Ben Affleck (Casey Affleck), Tom Wilkinson, entre outros, fiquei com a impressão de que já o tinha visto há alguns anos. Mas o filme é relativamente novo (2006 e chegando só agora no Brasil), foi então que nos créditos do trailer vi que era baseado em um filme italiano, chamado aqui “O último beijo” (L’Ultimo Bacio), de 2001.

Assisti recentemente ao filme com o “Scrubs” e, apesar de ser um bom filme, as comparações são inevitáveis. Read the rest of this entry »

Indiana Jones, Casino Royale e A intérprete

In Ficção on 23, Junho, 2008 at 15:59

Final de semana cheio, finalmente fiz algo que costumava fazer há muito tempo e que estava com saudade, assistir a vários filmes, um atrás do outro. Entre filmes já vistos, inéditos, lançamentos, bons filmes e bombas, três filmes se destacaram para mim.

O primeiro — em ordem de destaque — foi “Indiana Jones e reino da caveira de cristal”. Estava um pouco ansioso para vê-lo, mas não esperava muito dele, apenas um filme divertido na saga do famoso “arqueólogo”. Read the rest of this entry »

Apocalypto e o fim da civilização maia

In Históricos on 9, Junho, 2008 at 16:20

Mel Gibson mostra novamente como consegue o que quer em Hollywood. Depois de filmar “A paixão de Cristo” em aramaico, língua praticamente morta, ele filma “Apocalypto” utilizando o idioma falado pelos povos maias hoje em dia. Read the rest of this entry »

“A queda”: Hitler não era um robô

In Cinema, História on 6, Junho, 2008 at 15:10

Virou lugar-comum sempre que se falar em nazismo, fascismo, Hitler ou qualquer outro regime totalitário ou líder totalitário, criticar, de preferência com diversos adjetivos pejorativos, tais movimentos. E os patrulheiros de plantão estão aí para garantir que isso ocorra. É claro que não se quer que eventos como os que ocorreram na segunda guerra mundial se repitam, mas muitas vezes as críticas ao regime parecem mecânicas, e, assim sendo, desprovidas de conteúdo. Vazias. O lobby anti-Hitler desde o final da segunda guerra até hoje é tão intenso que muitas pessoas não se sentem à vontade quando vêem alguma imagem dele, ou os termos usados para adjetivá-lo são “monstro”, “desprezível” entre outros. Mas Hitler não foi muito diferente do qualquer outro líder totalitário. Nem pior, nem melhor.

Normalmente há bastante resistência, sobretudo por parte dos vencedores, às tentativas de mostrar o ponto de vista dos vencidos, pois há um ditado famoso que diz que “a História é contada pelos vencedores”. Foi o que ocorreu a partir do lançamento do filme “A queda: as últimas horas de Hitler” (baseado no livro “No bunker de Hitler, os últimos dias do Terceiro Reich“), em 2004. Houve uma série de críticas ao filme, ou por “humanizar” a figura do ditador, ou por tentar mostrar o regime nazista como vítima, ou, ainda, por tentar passar a idéia de um “nazismo light”. [mais informações].

Não vi nada disso no filme.

Ele humaniza, sim, o ditador. Mas não do jeito como normalmente se caracteriza uma pessoa como humana: dotada de sentimentos nobres. Mas como um ser humano que pode ser vil, empedernido, cruél e dócil ao mesmo tempo, o filme humaniza o ditador neste sentido. Mas como o cinema — ou aquelas que fazem cinema — tende a ser maniqueísta — o que é bom vira excessivamente bom, e o mal excessivamente mal — é natural que surjam críticas quando um “vilão” da vida real é dotado não apenas de sentimentos rancorosos. O filme mostra um Hitler que tem a capacidade de amar e de ser dócil com os outros, mas, ao mesmo tempo, mostra os delírios do líder nos momentos finais, como também mostra sua crueldade e seu rancor para com os judeus. Ou seja, o filme humaniza sim a figura do ditador, mas jamais absolvendo-o ou tentando criar empatia com ele.

Se o regime nazista chegou nesse ponto foi com o apoio da população. Os judeus estavam crescendo economicamente na Alemanha, o que levou muitos acreditarem que a causa da economia estar em níveis tão ruins fossem os judeus. Isto, aliado com os ressentimentos da primeira guerra mundial, criou um ambiente promissor ao desenvolvimento de um regime totalitário e nacionalista, com apoio popular. Os estrangeiros e etnias consideradas inferiores foram perseguidas: judeus, ciganos, eslavos, comunistas, etc.

O filme dá umas pinceladas sobre isto, mostrando uma característica presente nos movimentos fascistas, nos quais os líderes são tidos como infalíveis, criando, assim, uma idolatria do povo para com eles. Uma característica típica do absolutismo. Um dos pontos mais importantes do filme para mim é quando mostra a demagogia do líder, que, por orgulho e narcisismo, prefere a morte à rendição, e assim abandona — suicidando — aqueles que o apoiaram, que o levaram ao poder e legitimaram suas ações, diante da derrota iminente.

Ou seja, o filme só sugere um “nazismo light” para aquelas que o vêem com olhos tortos e de maneira superficial, sem perceber suas nuances. Pena que o ator Bruno Ganz, interpréte do füher no filme, não levou prêmio algum por sua atuação, pois ele esteve magnífico.

Ficha técnica